Freguesias

Pertencendo ao distrito de Santarém, o concelho de Alcanena, é formado por sete freguesias (União de Freguesias de Alcanena e Vila Moreira, Bugalhos, União de Freguesias de Malhou, Louriceira e Espinheiro, Minde, Moitas Venda, Monsanto e Serra de Santo António).

Freguesia de Serra de Santo António

População: 725 Habitantes

Área: 14 km2

Atividade Económica: Indústria de lacticínios e de malhas, pequeno comércio, agricultura e pecuária. Atualmente, a economia da freguesia baseia-se na criação de gado bovino, na olivicultura, na produção de figos e forragens e na indústria têxtil (confeção de malhas).
Das atividades artesanais tradicionais na freguesia, destaca-se o fabrico de queijo, de mantas de retalhos e tapetes, que merecem cada vez mais interesse por parte da população.

Festas, Feiras e Romarias: Feira mensal no dia 15; Festa de Santo António no dia 12 de junho; S. Sebastião, no domingo Gordo; e Nossa Senhora da Conceição, no dia 15 de agosto.

Património Cultural e Edificado: Igreja Matriz e Escola dos Frades ou Seminário. Paisagem da Serra, casinas, marouços, campos de lapiaz, abrigos de pastores, moinhos de vento, parque de merendas e miradouro. A antiga capela que existia na Serra de Santo António foi demolida, tendo sido erguida, em 1907, a atual Igreja.

Gastronomia: Cachola, Tripas de borrego, Bacalhau à Lagareiro e queijos da serra.

Artesanato: Mantas de retalho, tapetes de trapo e queijo artesanal.

Coletividades: Grupo Recreativo “Os Unidos da Serra”, “Os Cov’altas” – Associação Cultural e Ambiental e Grupo Motard “Pedras Rolantes”.

Histórico:
A freguesia da Serra António destaca-se, claramente, pelas particularidades da sua paisagem. Situada num planalto que o homem compartimentou com muros de pedra solta, consequência da atividade de despedrega, indispensável à tentativa de conseguir solos aráveis, e que lhe dão, atualmente, um especto tão característico.

A grande riqueza geomorfológica da Serra de Santo António incluiu as “pias”, como são designados localmente os reservatórios de águas pluviais, resultantes da progressiva dissolução do calcário, de que o “barreiro” é um excelente exemplo, dada a sua dimensão, muito superior às que geralmente se encontram no Maciço Calcário Estremenho. Por oposição a esta riqueza geológica, está a extrema escassez de vegetação da Serra, apenas com algumas oliveiras e espécies rasteiras.

As origens do povoamento nesta área são antiquíssimas, como atestam os achados da estação paleolítica do Casal do Estácio. Situado à entrada da povoação de Santo António, nos contrafortes da Serra, junto ás ruínas de uma casa que a população local atribui aos “mouros”, aqui foram encontrados, na década de 40, peças em sílex que os estudiosos que se dedicaram ao seu estudo designam, com algum cuidado, devido ao estado de conservação e ao reduzido número dos materiais encontrados, do taiacense e mustieróide. A esta origem tão antiga da presença do homem na Serra não é estranha a existência de numerosas grutas e abrigos naturais.

Quanto à documentação escrita, a mais antiga referência conhecida sobre esta freguesia da Serra de Santo António, é o documento que refere que em 1560 habitavam a Pia Carneira Lopo João e a sua mulher Águeda Maria, que aí mandaram construir uma capela em honra do Divino Mártir S. Sebastião, para agradecerem o refúgio ali encontrado quando andavam fugidos à justiça régia. A designação de Serra de Santo António não surge senão muito recentemente.
 
Anteriormente, o local era designado por Penedos Altos; a Corografia Portuguesa do Pe. António Carvalho da Costa designa-o como Santo António dos Casaes da Serra. A atual designação surge, pela primeira vez, na resposta do pároco de Minde aos Inquéritos de 1758, que refere o lugar, a sua ermida e uma população de cerca de 295 pessoas e 73 fogos.
 
No ano de 1903, a Serra de Santo António contava já com 600 habitantes e 150 fogos. A freguesia foi criada a 26 de Abril de 1918, por desanexação da freguesia de Minde. Quatro anos mais tarde, a 19 de Agosto de 1922, foi criada a paróquia de Serra de Santo António.

Freguesia de Monsanto

Sítio Oficial da Junta de Freguesia: www.jfmonsanto.com.sapo.pt

População: 886 Habitantes

Área: 17,3 Km2

Atividade Económica: O azeite e o figo são produções agrícolas com algum peso económico. No entanto, a indústria de curtumes está muito implantada na freguesia que, em 1970, contava com uma dezena de unidades. Conta também com uma indústria de vassouras e de velas, pequeno comércio e agricultura.

Festas, Feiras e Romarias: Realizam-se nesta freguesia as festas em honra de S. Sebastião. No coração do Covão do Feto, a tradicional festa da Espiga, junto à antiga Fonte do Pião. Festa do Divino Espírito Santo e Mártir S. Sebastião sempre no último fim-de-semana de julho. Existe também um Mercado Semanal que se realiza aos sábados.

Património Cultural e Edificado: Igreja Paroquial do Espírito Santo, Capela de Nossa Senhora dos Remédios, em Covão do Feto, Torre do Relógio, Edifício da Casa do Povo, Fonte do Pião, Fonte d’Além e Largo Arbirú.

Gastronomia: Broa caseira, Magusto, Cachola de Porco, Chouriço Caseiro, Coscorões, Arroz doce e Bolos de Noiva.

Artesanato: Vassouras e piaçabas em palmas e velas.

Coletividades: Grupo Desportivo e Recreativo de Monsanto, Centro Cultural e Recreativo do Covão do Feto, Clube Amador de Caça e Pesca de Monsanto, Casa do Povo de Monsanto e Espeleo Clube Lisboa, Estremadura e Ribatejo, Centro de Acolhimento “A Casinha”, Associação “A Torre”.

Histórico:
Conta-se em Monsanto uma curiosa lenda que explica a origem do nome desta freguesia. Diz-se, então, assim: «Numa antiga capela situada no cimo de um cabeço onde existia uma corda comprida, presa ao sino, que era usada para dar o alarme aos habitantes em caso de perigo. Certo dia, um burro que por ali pastava puxou a corda, fazendo tocar o sino, acorrendo de imediato a população para saber o que tinha acontecido. Quando chegaram ao local, viram que tinha sido o burro quem puxara a corda, e viram ladrões a correr, logo começaram a chamar ao animal «burro santo» e ao local «monte santo». Daí a Monsanto foi um passo».  

A freguesia já pertenceu ao antigo Concelho de Torres Novas e passou, tendo passado para o de Alcanena em 1914. Contudo, esta é uma terra medieval, uma vez que a sua confraria foi instituída em 1353. Toda a região pertenceu à Casa Ducal de Aveiro, que, em consequência da sentença de 1759, aquando da tentativa de assassinato de D. José, viu todos os seus bens confiscados.

Cândido Cardoso Calado, filho da freguesia, veio a ser Conde, “O Conde de Monsanto”, que muito contribuiu para a sua terra natal. Em 1872 recebeu a Ordem de Cristo, a Ordem de Isabel, a Católica, do rei de Espanha, e D. Luís I concedeu-lhe o título de Conde de Monsanto.

Freguesia de Moitas Venda

Sítio Oficial da Junta de Freguesia: www.junta.moitasvenda.pt

População: 866 Habitantes

Área: 7,1 Km2

Atividade Económica: Além da sua componente agrícola (oliveira e figueira), a economia da freguesia conta já com algumas indústrias: curtumes, têxteis e oleados e pequeno comércio.

Festas, Feiras e Romarias: Destaca-se a Feira Anual em Moitas Venda, com mais de meio século. Nossa Senhora da Conceição (2.º domingo de agosto); Quinta-Feira de Ascensão e Romaria de Santa Marta; Feira anual (2.º domingo de janeiro)

Património Cultural e Edificado: Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima, Capela de Santa Marta, Capela de Nossa Senhora da Conceição, Capela de Nossa Senhora da Guia (Casais Robustos) e Monte de Santa Marta (miradouro natural).

Gastronomia: Morcela, Bacalhau e Filhós.

Artesanato: Também o artesanato é marcado pela indústria de peles: atualmente, são produzidos artesanalmente artigos vários em pele e marroquinaria.

Coletividades: No capítulo do associativismo, Moitas Venda conta com a União Recreativa e Desportiva de Moitas Venda, o Rancho Folclórico e Etnográfico de Santa Marta e o Centro Sócio-Cultural de Casais Robustos e a Associação Cultural e Recreativa de Moitas Venda - MAC.

Histórico:
A Freguesia de Moitas Venda, criada a 11 de Abril de 1925, está situada entre as Serras de Aire e Candeeiros, onde se encontra o Cabeço de Santa Marta. A freguesia engloba o lugar de Casais Robustos.

O Cabeço de Santa Marta, a norte do Concelho de Alcanena é dos mais belos miradouros do Ribatejo. Do alto de Santa Marta, Moitas Venda oferece um magnífico panorama. Estendem-se os olhos na paisagem e adivinha-se o Tejo num horizonte de encanto. Moitas Venda é, pois, uma terra privilegiada.

A última década do século XX parece ter sido positiva para a freguesia de Moitas Venda no que diz respeito à evolução demográfica, já que, segundo as estimativas dos autarcas, o número de moradores terá aumentado para cerca de 1500. Dado importante para completar esta análise é o que refere o surto migratório de parte da sua população, dirigido para terras da Europa e Canadá. Recentemente, este surto terá abrandado ou quase desaparecido, coincidindo, portanto, com o aumento demográfico da década de 90. Por último, acrescente-se que se verifica já o regresso de alguns desses emigrantes, sendo portadores de novas energias e poder económico, pelo que se dispõem a investir nas tradicionais indústrias de curtumes e construção civil.

Inserida num concelho produtor da maior parte dos curtumes de todo o País, Moitas Venda não poderia fugir ao seu destino, sendo a indústria de curtumes a atividade dominante e a que ocupa a maior parte da mão-de-obra da freguesia. Mas esta indústria não está sozinha. A ela se juntam outras unidades de outros sectores, como o fabrico de oleados encerados, os têxteis e a produção de mármores. Apesar deste dinamismo industrial, a freguesia não tem visto tantos investimentos, à parte aqueles que têm vindo das mãos de emigrantes regressados, apontando os autarcas como causa para este marasmo do investimento a falta de infraestruturas atrativas para a instalação de novas unidades industriais.

Freguesia de Minde

Sítio Oficial da Junta de Freguesia: https://www.jf-minde.pt 

População: 3293 Habitantes

Área: 21, 2 Km2

Atividade Económica: Em meados do século passado, a tradição têxtil da localidade evoluiu para a indústria de malhas exteriores, que ocupa hoje a maior parte da força ativa da localidade. Após a fase inicial, caracterizada por uma certa euforia e espírito de incentivo, as indústrias esforçam-se hoje por evoluir tecnicamente e se manterem na vanguarda das novas tecnologias, havendo algumas apetrechadas com os mais modernos equipamentos, pese embora a crise que afeta o sector têxtil.

O ramo de negócios mais expressivo da localidade situa-se na área dos transportes de mercadorias. Para além disso, tem ainda expressão a indústria da transformação e comercialização da pedra.

Festas, Feiras e Romarias: Festa anual do Divino Espírito Santo, no dia litúrgico que lhe é dedicado, organizada pelo grupo dos que fazem os quarenta anos; Festa da Padroeira, em 15 de agosto, organizada pelos que fazem cinquenta anos; Festa de Santo António e S. Sebastião, em janeiro, organizada pelos jovens que fazem os vinte anos.

Património Cultural e Edificado: Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, Capelas de Santo António e de S. Sebastião, Casa Açores, Coreto, Cine Teatro Rogério Venâncio, Igreja de Covão do Coelho e Capela de Vale Alto.

Coletividades: Sociedade Musical Mindense; Vitória Futebol Clube Mindense; CAORG – Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro; Casa do Povo de Minde; Associação Cultural e Recreativa do Vale Alto; Centro Sócio-Cultural de Covão de Coelho; Rancho Folclórico de Covão de Coelho; Sociedade Portuguesa de Espeleologia – Delegação de Minde; Agrupamento de Escuteiros de Minde; Associação de Pais de Minde; APECCA – Associação de Pais e Encarregados de Educação de Covão do Coelho; Associação Cabaça Seca; CIDLeS – Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social.

A Coletividade mais antiga da freguesia de Minde é a Sociedade Musical Mindense, fundada em 1915, mas com raízes no século XIX. Assim, por volta de 1870, tentou-se, em Minde, a formação de uma Sociedade Filarmónica, que teve existência efémera. A sociedade acabou por desfazer-se pouco tempo depois da sua criação, mas ficou para sempre latente nos mindericos o gosto pela música. Em 1915, uma nova banda veio dar continuidade ao ideal que esteve na origem da criação da primeira filarmónica. O nome desta instituição cultural, que ainda hoje constitui uma grande referência para o povo de Minde e para o concelho de Alcanena, é Sociedade Musical Mindense, não tendo havido grande dificuldade na escolha do nome. No percurso da Sociedade Musical Mindense, houve muitos incidentes, sobretudo durante a primeira metade da existência da coletividade, com algumas paragens mais ou menos prolongadas, mais por desistência do que para descanso, como é natural acontecer nas coletividades de índole cultural ou recreativa.
Do curriculum da Sociedade Musical Mindense constam efemérides de grande relevância, não só na vida da coletividade, mas também na história das gentes de Minde, tais como a construção da sua própria sede, a atuação da Banda na TV, a sua deslocação a terras do sul de França a as suas atuações na Expo 98.

Histórico:
Minde compreende a vila e os lugares de Vale Alto e Covão do Coelho. Está situada muito próxima da Serra de Aire, no extremo norte do concelho. A região apresenta escassez de terras férteis para a agricultura, pelo que, desde cedo, terão surgido a pastorícia e o fabrico artesanal de lanifícios.

Uma das maiores riquezas desta freguesia é a sua etnografia, que apresenta grande variedade e complexidade, com forte expressão, e o calão minderico, ainda atual, o que é sinónimo de uma intensa e longa vida comunitária. Crê-se que a freguesia de Minde surgiu a partir de uma ermida de invocação de Nossa Senhora dos Cerejais, onde havia missa, sendo os funerais e os sacramentos feitos em Santa Maria. No entanto, em 1547, Minde tinha já por orago Nossa Senhora da Assunção.

Foi em ligação à atividade de produção e venda de mantas de terra em terra pelos frades ou por quaisquer outros indivíduos ligados à lã, à cardação, à tecelagem, ou à venda destes artefactos que surgiu o “calão minderico” ou “piação de charales”, que consiste em não mais do que “agarrar” em elementos vocabulares do português da região e deslocá-los dos seus significados comuns, no propósito de criar uma língua secreta que permitisse a autodefesa do grupo.

Entre as vilas de Minde e Mira de Aire (concelho de Porto de Mós) situa-se o Polje de Minde/Mira de Aire, mais vulgarmente conhecido pelo nome de Mata de Minde. Nos Invernos medianamente chuvosos, rios subterrâneos rebentam à superfície, constituindo, durante a Primavera, uma lagoa que, em alguns anos, atinge volume significativo, levando ao título sumptuoso de Mar de Minde. Acabadas as chuvas, a água escoa-se pelos algares e o espaço povoa-se de plantas e ervas bravias numa diversidade de cores e cheiros que não tem paralelo em ambientes citadinos.

Mas esta paisagem magnífica tem um outro ponto de observação mais soberbo ainda. Se entrou por este caminho não se esqueça, depois de atravessar a vila, e ao chegar às proximidades da Mata, volte à esquerda e suba a estrada que liga à Serra de Santo António. Encontrará, no alto da serra, uma das vistas mais empolgantes de todo o Ribatejo.

Em 1165, um quarto de século após a independência de Portugal, D. Afonso Henriques concedia isenção de impostos a D. David e mais catorze casais que aqui habitavam, a fim de manterem uma albergaria que desse abrigo aos viandantes. Este privilégio, confirmado ao longo dos séculos por nada menos que vinte e três cartas reais, durou até cerca de 1820, e constitui o elemento mais duradoiro na história local.

Desde o século XVII que pode documentar-se a atividade têxtil, que assumiu volume notável particularmente a partir de meados do século XVIII, para tal tendo influído, entre outros fatores, a presença de um hospício de frades arrábidos, que terminou pela Lei da Extinção das Ordens Religiosas, em 1834, e do qual restam ainda algumas paredes e a divisão da cerca.

A Igreja, de origem muito antiga foi, até meados do século XVII, dedicada a Nossa Senhora do Cerejal, depois passou a ter como orago Nossa Senhora da Assunção. A sua forma atual vem do final do século XVII, encontrando-se muito bem conservada, com uma riqueza de talha que alguém classificou como “ a melhor a sul de Coimbra “ e painéis de azulejos da época, sendo os da Capela-mor pintados de propósito para o local. As capelas de Santo António e S. Sebastião, uma a sul outra a norte da povoação, datam do século XV ou XVI, podendo a de Santo António ter origem na tradição sacra do lugar, por aqui ter existido, até ao século XVII, o túmulo de D. David, que o Rei Fundador citou no decreto sobre a albergaria.

As ruas sinuosas e apertadas, o aproveitamento das rochas para sobre elas levantar paredes, a pequenez das casas e o traçado consoante os relevos do terreno são os sinais da antiguidade ainda hoje bem visíveis.

Uma das expressões mais curiosas da cultura tradicional do povo de Minde encontra-se no Calão Minderico, que foi linguagem cifrada de feirantes, provavelmente desde o século XVIII até quase meados do século XX. O visitante curioso pode encontrar à venda na localidade um dicionário desta preciosidade linguística.

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